TV Cultura exibe programação especial na semana dos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos
Entre os dias 8 e 14 de dezembro, a TV Cultura celebra o aniversário de 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos com uma programação especial. O documento, assinado em 10 de dezembro de 1948 em Assembléia Geral das Nações Unidas, enumera os direitos que todos os seres humanos possuem.
Diariamente, a TV Cultura terá programas retratando a importância e como esses direitos funcionam em diversos segmentos da sociedade. E nos intervalos da programação, você confere programetes com trechos da Declaração, gravados por Rappin’Hood, Paula Picarelli, Rolando Boldrin, Heródoto Barbeiro, Antonio Abujamra , Sabrina Parlatore, Professor Pasquale, dentre outros. Veja os destaques dessa programação:
- Segunda-feira, dia 8
Roda Viva (com transmissão participativa pela internet) – às 22h10 - Lillian Witte Fibe comanda nesta edição uma entrevista, ao vivo, com Paulo Vannuchi, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
Balanço Social – às 23h40 – Programa especial mostrando o projeto “Nós do centro”, parceria da prefeitura de São Paulo com a União Européia e que investirá R$ 45 milhões para melhorar a qualidade de vida de 60 mil pessoas que moram em 1.648 imóveis desocupados no centro da cidade. Outra reportagem mostra o programa HP Able para a inclusão de deficientes, mostrando que é possível essas pessoas não serem utilizadas apenas em funções secundárias.
- Terça-feira, dia 9
Almanaque Educação – às 19h30 – Esta edição do “Almanaque Educação” trata das pequenas violências contra o ser humano que, muitas vezes, não são percebidas e trabalhadas, tendo em vista que a sociedade costuma se indignar apenas com situações grandiosas, como guerras, políticas segregacionistas, escravidão, dentre outros. Nesta linha, o programa coloca o telespectador para pensar sobre a importância da ética, cidadania e solidariedade para compreender o que é certo e o que convém e a necessidade de princípios éticos, da moral e de valores para criar efetivas mudanças no cotidiano social. No quadro “Grande Reportagem”, a abordagem de um dos direitos mais importantes da Declaração dos Direitos Humanos, a informação; em “Minha visão das coisas”, a trupe faz perguntas para jovens sobre ética, cidadania e solidariedade; no “Túnel do Tempo”, o arquivo da TV Cultura resgata fatos importantes relacionados à Declaração Universal, a violação desses direitos e a luta da sociedade para preservá-los; em “Pequenas Histórias Particulares”, uma entrevista com o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, que apresenta forte apelo à questão da ética, cidadania e dos direitos humanos em seus trabalhos; e por fim “Palavra de Mestre”, em que um professor de matemática fala sobre a incrível capacidade de contar. O programa, fruto de uma parceria com a Secretaria de Estado da Educação, é reapresentado aos sábados, a partir das 11h30.
Tal e Qual – às 23h10 – Margarita Terán – Margarita Terán é a convidada deste programa. Dirigente “cocalera” desde seus 14 anos, ela luta não apenas pelos direitos dos campesinos e pelos direitos das mulheres, mas principalmente pela dignidade de seu povo, argumentando que a folha de coca não surgiu ontem e nem é invenção do narcotráfico. A coca existe há séculos como base econômica fundamental e fonte de vida pra milhares de famílias bolivianas. No mesmo programa, exibição de “Guataka Informativa”, série que é o resultado de um projeto de formação em audiovisual para adolescentes privados de liberdade. Eles tiveram a oportunidade de se expressar e falar de temas distintos que lhes interessam, como música, esporte, arte e rua. Neste programa, os jovens detentos nos conectam ao mundo da salsa. E o motivo principal é o 2º Encontro Internacional de Salsa, realizado em Caracas.
Nação Oculta – meia-noite – Documentário de Diego Arraya que mostra a vida e a luta dos imigrantes bolivianos na capital paulista. Todos os dias milhares de bolivianos desembarcam no Brasil e, para a maioria deles, a viagem termina numa oficina clandestina de costura, onde se tornam vítimas do trabalho escravo e da falta de identidade.
- Quarta-feira, dia 10
Pé na Rua – às 12h30, com representação às 18h30 – A dupla João e Gabi vai às ruas ouvir o que a população tem a dizer sobre a conquista dos Direitos Humanos.
Escola Pública – às 19h20 – Programa que vai mostrar a educação pública sob o olhar de quem faz parte dela.
Jornal da Cultura – a partir das 21h – No dia da festa dos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, o Jornal da Cultura exibirá uma longa matéria contando toda a história de como, quando e porque o mundo resolveu que já era tempo de estabelecer um compromisso universal de respeito a todos os cidadãos.
Histórias de Direitos Humanos – às 23h10 – Projeto coletivo de 23 cineastas de diversos países que tratam de agressões aos diretos humanos. Assim, o filme realizado em homenagem aos 60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, composto por 23 curtas de 3 minutos, elaborados por importantes produtores independentes da videoarte internacional, integra o projeto audiovisual promovido pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas. Produção de Adelina von Fürstenberg e equipe ART for The World. O SESC SP, detentor dos direitos de distribuição com exclusividade no Brasil e nos países de língua portuguesa, contribuiu para o projeto, produzindo o curta de Daniela Thomas.
A Ponte – meia-noite e meia – Documentário sobre o trabalho de inclusão social na periferia de São Paulo. Realizado por Roberto T. Oliveira, da Sindicato Paralelo Filmes, tem como “estrelas” Mano Brown e Tia Dag (Dagmar Garroux), criadora da Casa do Zezinho – ONG atuante no Capão Redondo e Zona Sul paulistana.
- Quinta-feira, dia 11
Opinião Nacional (com transmissão participativa pela internet) - às 22h10 – Para debater as conquistas e a aplicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Opinião Nacional recebe os seguintes convidados: Paulo Abrão – presidente da Comissão de Anistia; Jacqueline Pitanguy – socióloga, diretora da Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia), Presidente do Conselho Diretor do Fundo Brasil de Direitos Humanos e ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; Maria Amélia de Almeida Teles – ativista de movimentos feministas e de direitos humanos; Gilberto Jabur – advogado, professor-doutor de Direito Civil da PUC/SP.
Especial Direitos Humanos – às 23h10 – Quatro curtas-metragens brasileiros que documentam mundos diferentes, mas que, em comum, carregam a esperança pela igualdade de direitos. O primeiro resgata a história da Declaração dos Direitos Humanos, há 60 anos, em filme produzido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Na seqüência, três curtas produzidos pelo projeto Marco Universal patrocinado pela Petrobrás que contam, respectivamente, a história de Alcione, um ex-garimpeiro que foi atrás do sonho de Serra Pelada, não viu o ouro que esperava e sim o massacre de Eldorado dos Carajás; um dia de trabalho de Crisleide, Leandro e Graziele, que do lixo tiram a comida e o sustento da família; e a saga de quatro adolescentes que inventaram o “morrinho”, uma favela de brinquedo que rodou o mundo em exposições consagradas e trouxe respeito e dignidade aos seus criadores. Os filmes serão apresentados por Michele Dufour.
- Sexta-feira, dia 12
Provocações – às 22h10 – Entrevista com Maria Aparecida de Aquino, estudiosa do período ditatorial no Brasil e professora de história contemporânea da Universidade de São Paulo (USP).
Sergio Vieira – A Caminho de Bagdá – às 22h40 – Por meio de uma série de entrevistas realizadas em oito países, o premiado documentário “Sérgio Vieira de Mello – A Caminho de Bagdá” mostra a trajetória de vida do embaixador brasileiro Sergio Vieira de Mello, morto num atentado à sede da ONU, em Bagdá, em agosto de 2003. A direção é da jornalista Simone Duarte. Quarenta pessoas que o conheceram recordam o trabalho feito por este diplomata, que lutava contra a burocracia e tinha esperança na renovação das Nações Unidas, com particular destaque para suas missões em países como Moçambique, onde ele morou dois anos; Camboja, onde ficou um ano; e o Timor Leste, seu endereço por dois anos e meio. O atentado que o matou no Iraque também marcou o fim de uma era de ajuda humanitária internacional e o começo de novas incertezas. Nos extras, uma entrevista especial com Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU. 52 minutos. Direção de Simone Duarte.
Divercine – A História Oficial – às 23h40 – Alícia, uma professora de História e pertencente à classe média, convive com muitas pessoas, mas desconhece os dramas pessoais gerados pela ditadura instalada em seu país, a Argentina. Ela é uma mãe dedicada e atenciosa com a filha, Gaby, uma criança adotada e trazida para casa pelo marido Roberto. Por meio dos relatos da amiga Ana, ela descobre a verdade que começa a surgir do escuro e tomar conta da sua vida e passa a ter contato com depoimentos sobre os métodos de repressão e opressão do regime militar. Alicia começa então uma investigação que a leva a hospitais, onde percebe que Gaby pode ser filha de presos políticos. Com isso, questiona consigo mesma a possibilidade de que seu marido possa ter envolvimento com a máquina repressora. O filme de Luis Puenzo registra um período da história contemporânea do Cone Sul, refletido na mais cruel ditadura militar. O cineasta, vindo do cinema publicitário, neste longa-metragem não mostra cenas de torturas, nem militares fardados (as únicas referências feitas a um general focalizam um oficial em trajes civis), todavia há um mergulho naqueles anos de horror com mortes, destruição e miséria a um dos países mais desenvolvidos do continente.
- Sábado, dia 13
Manos e Minas – às 18h30 – Rappin Hood recebe o pessoal da Banda Black Rio, que fez história na década de 1970 e foi repaginada pelo tecladista William Magalhães, filho do saxofonista e líder da formação original dão grupo, Oberdan Magalhães. Durante a apresentação no Manos e Minas, os músicos apresentaram clássicos de sua fase áurea, como “Mr. Funk Samba” e “Maria Fumaça”, além de faixas de sua trajetória mais recente, como Carrossel. Na semana em que se comemora os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, o programa traz uma matéria especial em que pessoas de diferentes traços étnicos lêem o preâmbulo (parte inicial de um texto) da declaração. Essa leitura será intercalada com dados apresentados por Rappin Hood mostrando que muitos desses direitos não são respeitados no Brasil. Além disso, o Manos e Minas discute, em outra reportagem, o projeto de cotas que prevê um número mínimo de vagas universitárias para negros, pardos e índios. O quadro Interferência, apresentado pelo escritor Ferréz, traz uma entrevista com o rapper Eduardo, conhecido por seu trabalho à frente do grupo Facção Central.
Cine Brasil – Araguaya: A Conspiração do Silêncio – às 23h40 – O filme trata um episódio obscuro da história brasileira. Dirigido pelo brasiliense Ronaldo Duque, o longa mescla ficção e depoimentos de ex-membros da guerrilha do Araguaia, como o do político petista José Genoino e o sobrevivente Zezinho. Em meados dos anos 1970, um grupo de guerrilheiros vai para a região do Araguaia (PA), envolvendo camponeses e padres locais nas ideologias e lutas da guerrilha. A narrativa é conduzida por um desses religiosos, François (Stephane Brodt), um francês radicado no Brasil. No elenco também estão Norton Nascimento, Danton Mello e Fernando Alves Pinto. Aos poucos, o Padre Chico, como é conhecido, e os moradores da região começam a se identificar com a ideologia do grupo, que tenta melhorar as condições de saúde e educação do povo que ali vive. Esse encontro de dois mundos, em busca do mesmo ideal, resulta no que há de melhor no filme. O grupo acreditava na solidariedade para mudar o país, em uma das épocas mais difíceis da história do Brasil, em meio ao governo do general Médici. Nesse sentido, o longa “Araguaya — A Conspiração do Silêncio” é louvável ao abordar um tema tão negligenciado.
- Domingo, dia 14
Conquista – às 13h30 – O programa de esportes “Conquista” leva ao ar uma reportagem sobre o racismo no esporte, com alguns atletas que, em momentos diversos, tiveram amplo destaque por causa da raça, como Jesse Owens, negro norte-americano que conquistou quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Berlim (1936) e ofuscou a atuação do atleta alemão Lutz Long aos olhos de Hitler, que assistia as provas e aguardava a vitória da raça branca. Também entra em cena Michael Jordan, ex-jogador de basquete, Jim Thorpe, norte-americano de origem indígena, Florence Griffith-Joyner, Abebe Bikila, Cassius Clay e a dupla Tommie Smith e John Carlos, da equipe de atletismo dos Estados Unidos, que no pódio, reproduziram o sinal de protesto do partido “Panteras Negras”. O programa também focará nos Jogos Olímpicos de Munique-1972, quando atletas israelenses foram mortos pelo grupo terrorista palestino “Setembro Negro”, num dos atentados mais violentos contra atletas que já existiu. Para fechar, a atração lembra de Pelé, o maior de todos os atletas, e Garrincha, descendente de negros e índios.
Grandes Momentos do Esporte – às 15h – Traz uma reportagem que parte de uma declaração famosa do ex-jogador de futebol Pelé, onde ele questionou, durante a Copa do Mundo da Suécia, em 1958, o porque de apenas a seleção brasileira possuir jogadores negros das 16 que participavam do torneio. Atualmente, Pelé diz que mais orgulho por trazer o título, se orgulha de ter pertencido à geração que foi uma espécie de semente para propagar os negros por todas as seleções do mundo. Junto a isso, dois clipes feitos pela União Européia de Futebol de campanhas contra o racismo.
Repórter Eco – às 17h30 – O programa traz reportagens sobre os direitos dos seres vivos e os refugiados climáticos. Washington Novaes também fala sobre os avanços e os desafios futuros no âmbito dos Direitos Humanos.
AI5: O Dia que Não Existiu – às 23h – O documentário apresentado e dirigido por Paulo Markun, faz um retorno histórico ao dia 12 de dezembro de 1968, quando foi deflagrado o processo de violações mais cruéis da história do Brasil. Prisões, mandatos cassados, letras de músicas e filmes mutilados, trabalhadores sem emprego, torturados e mortos.
A programação especial será exibida simultaneamente pela internet, no endereço www.tvcultura.com.br/direitoshumanos. Após a transmissão pela TV, os programas ficarão arquivados no site especial sobre direitos humanos da Fundação Padre Anchieta.
Quero parabenizar as excelentes inicativas da TV Cultura. A primeira, e mais importante, de discutir essa questão fundamental dos Diretos Humanos. A outra, operacional, de gerar uma interfase cada vez mais interessante entre a televisão e a internet – sem se intimidar pelos mais novos recursos que a web proporciona.
Hoje, quando nós, cidadãos e contribuintes, olhamos para a TV Cultura percebemos que nosso dilehiro está sendo muito bem empregado.
Parabéns a todos!
Parabéns à TV Cultura. iniciativa de sinalizar e marcar a Semana de Direitos Humanos.
Preciso saber se vão reprisar o vídeo “Nação Oculta” porque ontem caiu a energia na área da Consolação, e em meu prédio a TV Cultura saiu do ar.
Faço monografia sobre os bolivianos em S.P. O vídeo é preciosíssimo.
Obrigada
Martha Catalunha
Gostaria de parabenizá-los e sugerir que esta programação seja disponibilizada para venda em DVD ou download. Desde já agradecido.
Gostaria de saber se vai ser reprisado o documentário sobre Sergio Vieira de Melo- a caminho de Bagdá-.Se não, será que eu poderia ter acesso através de dvd ou de alguma outra forma? Não pude assistir ao programa e gostaria imensamente de ter acesso ao documentário por inúmeros motivos. Desde já muito obrigada!
Parabens pela iniciativa da TV Cultura. Relembrar um período nebuloso da história brasileira, bem como as atrocidades cometidas pelo mundo. É muito importante para nova geração brasileira conhecer como os “…porcos canalhas do regime militar…” amordaçavam e censuravam os que propunham o debate de idéias em um país livre.
Salve.
Parabéns pela programação. Oxalá reprise esta semana que entra. Em forma poética e alusiva, deixo aqui minha modesta contribuição:
CINCO ELEMENTOS
aos Manos & Minas do Movimento Hip Hop
A palavra cantada
juventude municiada
tomou de assalto
palcos praças ruas
rimando verbos conseqüentes
A palavra tocada
orquestra em didjei vinil
criatividade nos dedos
rotação vudum-vudum-vudum
A palavra dançada
B.Boy
B.Girl
passo lunar
compasso moinho
corpo robótico
em múltiplas formas flutua
A palavra grafitada
muros paredes
tela nua
mural dos excluídos
vestindo traços coloridos
em jato spray
A palavra revolucionária
becos vilas cohabs morros favelas
periféricas páginas cotidianas
dialeto de preto
raio X do gueto
em ritmo Che-Marx-Martin-Malcon-Mandela-Zumbinianos
Publicado originalmente em Cadernos Negros – volume 27, poemas afro-brasileiros, Edição Quilombhoje, São Paulo, 2004.
OUBÍ INAÊ KIBUKO
Qdo será transmitido o show do MV bill que foi gravado ontem no Sesc Pinheiros??
Obrigado